O amor é uma merda. Uma inutilidade tremenda. Desconcerta, desconcentra, machuca e fode. Fode muito. Mas o amor me marca, todo mundo sai ileso dele menos eu. Eu sempre saio na merda. Aonde eu estava na cabeça quando eu me meti nisso de novo? Na verdade, eu devia estar sem cabeça.
O amor é uma praga de várias mãos que pega e corrompe, que larga sempre o outro e ME pega mais, que subdivide erroneamente as mãos entre as vítimas! O amor pode dar paz pra quem for, mas pra mim ele é miséria, é lágrima, é uma desgrama mesmo - e que eu deixe esse texto aqui muito tempo pra eu nunca mais ousar esquecer disso. Nem se Amarante pessoalmente me ligar me convidando pra um risoto de brocólis.
Eu nunca “desamo” no ritmo, eu nunca entendo o que sinto, eu meto os pés pelas mãos. Mas a culpa não é minha. É impossível falar qualquer coisa que tenha o mínimo sentido ou ganhar uma discussão quando o outro lado da questão é alguém que a gente acha lindo, que a gente acha fantástico, que a gente quer bem. É impossível pensar em qualquer coisa quando se ama, porque amar exige demais - doação demais, paz demais, VONTADE demais. E na minha lista de vontades eu não ando incluindo algumas frases que..bem..que me fodem tanto quanto o amor em si - mas ainda assim eu as estou ouvindo!
Sinceramente? Eu quero que essas merdas de sentimentozinhos saim daqui de dentro o mais rápido possível, e se não saírem por bem, tudo certo, sairão na marra mesmo.
Tragam uma faca de açougueiro, tragam uma britadeira potente, passem um trator em cima de mim até transformar esses sentimentinhos em pó - nada disso vai conseguir doer ou machucar mais do que ter sentimentos por dentro. Nenhuma dessas dores vai ser forte do que a que eu já sinto. Nenhum desses procedimentos vai ser mais dilacerante do que o processo de ter um coração aberto e ocupado - por alguém que veja só, quer desocupar!
Quero que o amor exploda. Quero que casais dando beijos no shopping tenham diarréia. Quero pedir a Jesus Cristo - e eu até me converto em qualquer religião - que me ajude e me sacuda, que não deixe essa desgraça chamada amor acontecer de novo. Quero um terreiro de macumba pra tirar esse encosto. Quero cento e vinte passes de centro espírita. Quero cortar os pulsos quando eu estiver na merda e ainda assim eu abrir a boca pra dizer que “o amor é lindo” ou que “eu acho que o amor vence tudo”.
O QUE FIZERAM COM O MEU CEREBRO??????
Três vezes amaldiçoado seja o infeliz que me fez acreditar nessas coisas de novo. Eu já tinha vencido, eu já estava forte - o que eu ganho me sentindo assim?
Eu sinto ódio. Eu sinto raiva. Eu sinto uma vontade desesperada de gritar. Eu sinto mágoa e guardo rancor. Eu quero que e x p l o d a. (“que é pra ver se você nota, que é pra ver se você vem, que é pra ver se você olha pra mim….”)
O amor é foda. E nele, eu só me fodo.
(e o pior, para quem não entendeu a amargura, é que eu queria me dar bem.)